terça-feira, 11 de março de 2025

MEUS LIVROS 3


Milton Rezende, 44, ervalense, depois de muito pesquisar e após dois anos de trabalho ininterrupto concluiu e agora publica o primeiro livro sobre a história de Ervália, município situado na Zona da Mata Mineira.

Trata-se de um ensaio histórico/literário amplamente ilustrado com fotos, quadros, desenhos, mapas, croquis e que, ao longo de suas 300 páginas, traça um painel abrangente (ainda que introdutório) de sua terra natal desde os seus primórdios, no século XVII até os dias atuais.

O livro, que traz a apresentação do poeta e tradutor Ivo Barroso, também filho da terra, conta ainda com o patrocínio da prefeitura local e de duas empresas sediadas em Santa Catarina – SC e pertencentes aos irmãos, Gilmar e José Élson, eles também ervalenses de nascimento e coração.

O autor já publicou quatro livros de poemas: “O Acaso das Manhãs”, “Areia (À Fragmentação da Pedra)”,”Inventário de Sombras” e “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” e esta é a sua primeira incursão pela prosa.

A presente obra encontra-se dividida em capítulos, anexos, iconografia, apêndice e faz referências ao folclore local e seus personagens inesquecíveis. Mescla passado e presente e tenta projetar o futuro, numa permanente busca de uma síntese meio que impossível, mas que é continuamente tentada pelos homens.

Neste livro encontra-se ainda uma pequena antologia de poemas sobre Ervália e escritos por autores ervalenses de diferentes épocas e estilos. Há também letras de música e o vento que sopra do Monumento ao Santo Cristo, numa coreografia de coqueiros.

Por Milton Rezende

 

Capa comum (brochura): 300 páginas

Ano: 2006

ISBN: 85-98026-09-3

Idioma: Português

 

EDITORA TEMPLO

Dezembro de 2006

FICHA TÉCNICA:

EDITORIA:

Templo Gráfica e Editora Ltda.

PRODUÇÃO:

Francisco de Assis Campos

Maria José Rezende Campos

Milton Rezende

REVISÃO:

Maria José Rezende Campos

Milton Rezende

FOTO DO AUTOR:

R & A Foto Estúdio

FOTO DA CAPA:

Herval na década de 1940

COMPOSIÇÃO, IMPRESSÃO E ACABAMENTO:

Templo Gráfica e Editora Ltda.

COLABORADORAS:

Helenita Gomes de Castro

Maria Inês de Freitas Dias

TIRAGEM:

1000 exemplares

 

preço e onde comprar:

R$ 80,00 (incluindo o frete). Direto com o autor ou pelo e-mail:

milton.rezende@yahoo.com.br

 

formas de pagamento:

Depósito ou transferência bancaria (Banco do Brasil e Caixa Federal) ou PIX

 

Sobre o autor:

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de Setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público aposentado por Varginha (MG), morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP).

Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados: “O Acaso das Manhãs” (Edicon, 1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)” (Scortecci, 1989), “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução” (Templo, 2006), “Uma Escada que Deságua no Silêncio” (Multifoco, 2009), “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” (Multifoco, 2011), “Inventário de Sombras” (Multifoco, 2012), “Textos e Ensaios” (Multifoco, 2012), “O Jardim Simultâneo” (Penalux, 2013), “A Magia e a Arte dos Cemitérios” (Penalux, 2014), “Um Andarilho Dentro de Casa” (Penalux, 2017), “Mais uma Xícara de Café – One More Cup of Coffee ” (Penalux, 2017), “A Casa Improvisada” (Penalux, 2019), “Anímica” (Penalux, 2022), “Antologia Poética – Literária I” (Grupo Editorial Atlântico, 2022 - editado no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde ) e “Da Essencialidade da Água” (Sinete, 2024).

Possui três ebooks: “Textos e Ensaios” (Bibliomundi, 2018), Antologia Poética – Literária I (Grupo Editorial Atlântico, 2022) e “Coletânea Cemiterial (Kindle/Amazon, 2023). Tem dezenas de poemas traduzidos para o inglês e o espanhol.

Publica em diversos blogs, revistas, jornais e sites de literatura no Brasil e alguns no exterior, tais como: Germina, Alagunas, Subversa, Jornal de Poesia, O Bule, Poesia para Todos, Translittera, Palpitar, Gotas de Poesia e Outras Essências, Portal Literal, Recanto das Letras, Gaveta do Ivo, Contos Cabulosos, Cronópios, Jornal Rascunho, Mallarmargens, Amaité poesias & Cia., Revista Samizdat, Entrementes, Revista portuguesa Triplo V, Revista Gueto, Revista Traços, Conto Brasileiro, LiteraLivre, Plástico Bolha, Ecos da Palavra, Cronopio ideas libres y diversas, Revista Jezebel, Mar de Lá e Portal fazia.poesia.

Foi um dos editores/colunistas da Revista O Bule (2020 a 2023) e colabora regularmente com a Revista Samizdat, Crônicas Cariocas e com a Revista portuguesa TriploV.

Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

 

www.miltoncarlosrezende.com.br

 

www.estantedopoetaedoescritor.blogspot.com.br

segunda-feira, 10 de março de 2025

MEUS LIVROS 2


Em “Areia (À Fragmentação da Pedra)”, o poeta Milton Carlos Rezende prossegue em seu estilo de uma forma contundente e reflexiva.

São poemas que buscam resgatar, ao menos em parte, os estilhaços do ser e re/compor a unidade (aparente) da pedra.

Mas o poeta sabe que a perfeita junção dos elementos nunca será possível, e apenas tenta torná-la plausível em meio seu ao deserto de areia.

 

“Sou isto:

Um porão vazio

abarrotado de quinquilharias”

Por Milton Rezende

 

Capa comum (brochura): 80 páginas

Ano: 1989

ISBN: nihil

Idioma: Português

 

JOÃO SCORTECCI EDITORA:

Julho de 1989

FICHA TÉCNICA:

EDITOR:

João Scortecci

CAPA:

Rosânia A. de Paula Lopes

ARTE-FINAL DA CAPA:

Maria Célia de Almeida

EQUIPE DE PRODUÇÃO:

João Scortecci

Maria Célia de Almeida

Paola Boba Mariz de Oliveira

Paulo César de Oliveira

REVISÃO:

Milton Carlos Rezende

 

preço e onde comprar:

R$ 50,00 (incluindo o frete). Direto com o autor pelo e-mail:

milton.rezende@yahoo.com.br

 

formas de pagamento:

Depósito ou transferência bancária (Banco do Brasil e Caixa Federal) ou PIX

Sobre o autor:

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de Setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público aposentado por Varginha (MG), morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP).

Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados: “O Acaso das Manhãs” (Edicon, 1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)” (Scortecci, 1989), “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução” (Templo, 2006), “Uma Escada que Deságua no Silêncio” (Multifoco, 2009), “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” (Multifoco, 2011), “Inventário de Sombras” (Multifoco, 2012), “Textos e Ensaios” (Multifoco, 2012), “O Jardim Simultâneo” (Penalux, 2013), “A Magia e a Arte dos Cemitérios” (Penalux, 2014), “Um Andarilho Dentro de Casa” (Penalux, 2017), “Mais uma Xícara de Café – One More Cup of Coffee ” (Penalux, 2017), “A Casa Improvisada” (Penalux, 2019), “Anímica” (Penalux, 2022), “Antologia Poética – Literária I” (Grupo Editorial Atlântico, 2022 - editado no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde ) e “Da Essencialidade da Água” (Sinete, 2024).

Possui três ebooks: “Textos e Ensaios” (Bibliomundi, 2018), Antologia Poética – Literária I (Grupo Editorial Atlântico, 2022) e “Coletânea Cemiterial (Kindle/Amazon, 2023). Tem dezenas de poemas traduzidos para o inglês e o espanhol.

Publica em diversos blogs, revistas, jornais e sites de literatura no Brasil e alguns no exterior, tais como: Germina, Alagunas, Subversa, Jornal de Poesia, O Bule, Poesia para Todos, Translittera, Palpitar, Gotas de Poesia e Outras Essências, Portal Literal, Recanto das Letras, Gaveta do Ivo, Contos Cabulosos, Cronópios, Jornal Rascunho, Mallarmargens, Amaité poesias & Cia., Revista Samizdat, Entrementes, Revista portuguesa Triplo V, Revista Gueto, Revista Traços, Conto Brasileiro, LiteraLivre, Plástico Bolha, Ecos da Palavra, Cronopio ideas libres y diversas, Revista Jezebel, Mar de Lá e Portal fazia.poesia.

Foi um dos editores/colunistas da Revista O Bule (2020 a 2023) e colabora regularmente com a Revista Samizdat, Crônicas Cariocas e com a Revista portuguesa TriploV.

Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

 

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domingo, 9 de março de 2025

MEUS LIVROS 1



“Milton Carlos Rezende estreia de forma brilhante com “O Acaso das Manhãs”.

 São poemas reflexivos de alto nível, nos quais o poeta investiga (com ironia) o cotidiano e os problemas do homem.

Nessas reflexões (em que se incluem os poemas sobre o poema), o poeta jamais perde a consciência da precariedade da existência humana”.

 

“Eu não sou somente

poeta

seus estetas

sou também

funcionário público”

 

Por Editora Edicon

 

Capa comum (brochura): 80 páginas

Ano: 1986

ISBN: nihil

Idioma: Português

 

EDICON

Editora e Consultoria Ltda

1986

-----------------------------------------

Ref.: 8.673, 1986

 

EDITORIA:

Antônio Jayro da Fonseca Motta Fagundes

Valentina Ljubtschenko

PRODUÇÃO:

Maria do Carmo Zabotto

Rosane Frigo

 

REVISÃO:

Roberto Saito

CAPA E ARTE- FINAL:

Luiz Gomes dos Santos

 

Preço e onde comprar:

R$ 50,00 (incluindo o frete). Direto com o autor pelo e-mail:

milton.rezende@yahoo.com.br 

 

formas de pagamento:

depósito ou transferência bancária (Banco do Brasil e Caixa Federal) ou PIX

 

Sobre o autor:

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de Setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público aposentado por Varginha (MG), morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP).

Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados: “O Acaso das Manhãs” (Edicon, 1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)” (Scortecci, 1989), “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução” (Templo, 2006), “Uma Escada que Deságua no Silêncio” (Multifoco, 2009), “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” (Multifoco, 2011), “Inventário de Sombras” (Multifoco, 2012), “Textos e Ensaios” (Multifoco, 2012), “O Jardim Simultâneo” (Penalux, 2013), “A Magia e a Arte dos Cemitérios” (Penalux, 2014), “Um Andarilho Dentro de Casa” (Penalux, 2017), “Mais uma Xícara de Café – One More Cup of Coffee ” (Penalux, 2017), “A Casa Improvisada” (Penalux, 2019), “Anímica” (Penalux, 2022), “Antologia Poética – Literária I” (Grupo Editorial Atlântico, 2022 - editado no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde ) e “Da Essencialidade da Água” (Sinete, 2024).

Possui três ebooks: “Textos e Ensaios” (Bibliomundi, 2018), Antologia Poética – Literária I (Grupo Editorial Atlântico, 2022) e “Coletânea Cemiterial (Kindle/Amazon, 2023). Tem dezenas de poemas traduzidos para o inglês e o espanhol.

Publica em diversos blogs, revistas, jornais e sites de literatura no Brasil e alguns no exterior, tais como: Germina, Alagunas, Subversa, Jornal de Poesia, O Bule, Poesia para Todos, Translittera, Palpitar, Gotas de Poesia e Outras Essências, Portal Literal, Recanto das Letras, Gaveta do Ivo, Contos Cabulosos, Cronópios, Jornal Rascunho, Mallarmargens, Amaité poesias & Cia., Revista Samizdat, Entrementes, Revista portuguesa Triplo V, Revista Gueto, Revista Traços, Conto Brasileiro, LiteraLivre, Plástico Bolha, Ecos da Palavra, Cronopio ideas libres y diversas, Revista Jezebel, Mar de Lá e Portal fazia.poesia.

Foi um dos editores/colunistas da Revista O Bule (2020 a 2023) e colabora regularmente com a Revista Samizdat, Crônicas Cariocas e com a Revista portuguesa TriploV

Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

 

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

DA ESSENCIALIDADE DA ÁGUA


 

Da essencialidade da água

 

Por Krishnamurti Góes dos Anjos (*)

 

O tempo que decorre implacável, sobretudo para aqueles que já passaram de certa idade, e que se vêm diante de situações aflitivas que comprometem a saúde, tende a evocar a proximidade da ‘indesejada das gentes’, a morte. Em momentos tais, se nos dermos à meditações mais detidas e aprofundadas, lembramos dos entes que nos foram caros, daqueles que de alguma forma partilharam de nossas vidas. Surge então nas telas da memória a imensa legião dos que já não vivem entre nós. Vemos-os desfilar com as paixões que os consumiram, com seus ódios, suas amizades e carinhos, amores, desejos e ambições desvanecidas na poeira do tempo que passou. E nos perguntamos indignados: Por que tanta vida, pensamento, inteligência e sentimentos se tudo deve terminar no sepulcro? Em sua carreira, para onde vai, pois, o homem? Para o nada ou para uma luz desconhecida?

A recente publicação pela novíssima Editora Sinete da obra “Da essencialidade da água” do escritor Milton Rezende tem o poder de despertar no leitor os questionamentos acima. Rezende que é autor de larga experiência no mundo literário com quatorze livros publicados, surpreende ao reunir no volume poemas escritos em passado recente, aos quais ironicamente batizou de “uns versos de circunstância”. Poemas que revelam a difícil situação pela qual passou em decorrência de um derrame isquêmico do lado direito do corpo que o deixou por meses internado e com graves sequelas. A obra é plasmada numa espécie de  terapia primal (abordagem psicológica que visa tratar traumas, através da liberação de emoções reprimidas. Baseia-se num conceito de que as neuroses e as doenças são causadas por dores reprimidas, e que a solução é reviver essas dores). Mais do que o simples resgate de emoções reprimidas, que sem dúvida nos causam sentimentos de empatia e solidariedade, a obra sacode o leitor porque incita reflexões outras sobre o que pensamos afinal que seja a morte, esse acontecimento temido  e inevitável que a maioria de nós sequer reflete sobre:   

“Em meio a esse caos de tantas dores e os músculos retesados repuxando / no braço / como se fosse me virar do avesso, o que faz com que minha cabeça não / consiga / pensar mais eu lanço tudo no livro das horas, antes de fechar a brochura / contábil.” p.40.

            Assim, como bem o aponta o editor Whisner Fraga em prefácio à obra, o poeta se insurge contra o mundo de realidade brutal e tenta recomeçar, em meio a limitações, fármacos, injeções e terapias. Segue tecendo mais uma obra. Ainda que o corpo vacile diante da monstruosa tarefa de continuar. Não é fácil... Superar a própria dor física, o sofrimento existencial imposto pelas “voltas da vida”, e ainda assim, tentar adentrar as camadas mais profundas do ser. Eis a que ponto chegamos neste nosso mundo em que a fé se extinguiu, o ceticismo e o materialismo tomam corpos, paixões, e apetites são estimulados, e a mediocridade e a violência exacerbadas tomam corpo.

O autor consegue extrair certa beleza melancólica das coisas mais improváveis e dos fatos mais banais.... Desencanto, na linha de um Carlos Drummond de Andrade, conterrâneo de Rezende, que aliás figura em vários dos poemas, seja em epígrafes de versos, seja como revisitações textuais ou ainda aquele certo “sentimento do mundo”. Sentimento que identifica, e questiona ainda hoje, a posição do indivíduo em um mundo cada vez mais artificial e tecnológico, marcado por conflitos, êxodos, guerras e pelo surgimento de armas cada vez mais letais. Por outro lado, sentimos no filtro da sua subjetividade autoral a busca de uma esperança para a vida, em meio a essa brutal crise de sentido e de valor que vivemos presentemente.

            Há também a presença do "Horror Cósmico" criado por Howard Phillips Lovecraft porque o absurdo em que transformamos o mundo, de tão cruéis convocam a literatura fantástica.  Em alguns poemas Rezende envereda por uma linha fantástica que confronta ideias do iluminismo, cristianismo e do humanismo, como acontece nos poemas “Quarto 602”, “A marca da besta” e “ A besta de Gevaudan”.

Mas também há de se observar que a reação humana  brota em nascentes insuspeitadas de esperança. Aí a “essencialidade da água.” que nos sugere aquele dito milenar de Heráclito de Éfeso a nos alertar que “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes nas águas do mesmo rio... pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem!”. Tanto o rio quanto a pessoa que o atravessa estão em um estado de transformação contínua. Um aprendizado constante que nos permite entendimento diferente de algo que se repete. Assim, ao lermos poemas como  “Camadas de água”, “Uma poesia a marteladas”, “Corpo”, “Quando acordei do coma parece que entrei num pesadelo”, “Disritmia”, “Fogo-fátuo (ignes fatuus)”, “Visão periférica”, “Ódio II” e  “Versão”, somos instados a amadurecer o nosso senso crítico, a capacidade analítica e a reinterpretar a vida.

            Finalmente. Há neste livro de Milton Rezende um verso que chama a atenção: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. É uma verdade, mas uma verdade que deve ser entendida também pelo viés daquela arte que só o humano pode executar. Aquela arte mais admirável, mais sublime e não menos DOLOROSA. A de esculpir-se a si mesmo a cada dia. O pêndulo da vida e da morte oscila ininterruptamente. O homem, com suas obras, terá por destino o nada, o olvido? A morte como ainda a entendemos? Será mesmo a vida o resultado de um acaso estúpido?

Aqueles que estão cansados de viver como cegos, ignorando-se a si mesmos, aqueles que não se satisfazem mais com as superficialidades de uma civilização material, mas que aspiram a uma ordem de coisas mais elevadas precisam continuar a se ‘esculpir’. Não há escapatória para mudar essa dicotomia infeliz. De um lado as religiões, com o cortejo de radicalismos e interesses escusos, o espírito de dominação e intolerância. E “ o deus de barro que criaram se esfarela como pó seco”. Do outro, a ciência e o tecnicismo materialista em seus princípios como em seus fins, com frias negações e exagerada inclinação para o individualismo. “A besta do Apocalipse / era bem mais sutil / e se infiltrava / em todas as camadas / do fazer humano: / relações interpessoais / e políticas. Em tudo a mesma carnificina. // Olhe ao redor e vislumbre / o caos, as classes, os clãs / e os dentes incisivos na / carne putrefata.”

Religião e ciência. Uma a oferecer um paraíso inacessível ou uma eternidade de suplícios, a outra, o nada absoluto! E os homens se engalfinham, combatem, sem se poderem vencer, porque cada uma delas corresponde a uma necessidade imperiosa do ser: uma fala ao coração, a outra dirige-se ao espírito e à razão. Os sentimentos do humanismo se enfraqueceram, a divisão e o ódio substituíram a compaixão e a união.

            Alguma vez o arremesso ao acaso das letras do alfabeto produziu um poema? Entregue a si mesma nada pode a matéria. Só se explica a harmonia do universo que nos cerca pela intervenção de uma vontade. É pela ação de forças sobre a matéria, pela existência de leis sábias e profundas, que tal vontade se manifesta na ordem do Universo, que também  compõe, dispõe e acomoda a natureza do Planeta - com que força isto está nos sendo cobrado atualmente!  – a apontar e provar a existência de um plano. A atividade dos elementos que concorrem para tal realização denota uma causa oculta, infinitamente sábia e poderosa a que nossa intuição e consciência dão o nome de Deus.

  31/12/2024. Que nos venha um Ano Novo com muita saúde, paz e luz!

Livro: “Da essencialidade da água” – Poesias de Milton Rezende, Editora Sinete – São Paulo / SP, 2024, 124 p.  ISBN 978-65-997365-9-9

Links para compra e pronto envio:  https://www.sineteeditora.com.br/da-essencialidade-da-agua

https://www.facebook.com/milton.rezende.96

(*) Krishnamurti Góes dos Anjos tem publicados os livros: Il Crime dei Caminho Novo – Romance Histórico, Gato de Telhado – Contos, Um Novo Século – Contos, Embriagado Intelecto e outros contos, Doze Contos & meio Poema, À flor da pele – Contos e Destinos que se cruzam - Romance. Participou de 30 Coletâneas e antologias, algumas resultantes de Prêmios Literários. Há textos seus publicados em revistas no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. Seu último romance publicado pela editora portuguesa Chiado – O Touro do rebanho – Romance histórico, obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional - Prêmio José de Alencar, da União Brasileira de Escritores UBE/RJ em 2014, na categoria Romance. Colabora regularmente com resenhas, contos e ensaios em diversos sites e publicações. Atuando com a crítica literária, resenhou mais de 350 obras de literatura brasileira contemporânea veiculadas em diversos jornais, revistas e sites literários.  

domingo, 8 de dezembro de 2024

POEMAS DE EDSON BRAZ DA SILVA


OCASO


 O caso é o seguinte:

o caos não chegou por

acaso.

 

ROTINA


A gente se acostuma
contudo

não deveria.

 

ARCANO


Mergulho nas águas profundas e turvas sem me molhar
Submerso em meus temores e pesadelos, não expiro o
ar de meus pulmões prestes a explodir

Não há peixes, cavalos marinhos ou algas
Não há carcaças de navios piratas naufragados
Não há sequer tubarões famintos ou polvos abobalhados


Há apenas trevas teimando em ser cada vez mais trevas
O sol e o céu azul, a lua e as estrelas
os sons, as vozes, as canções – Onde estão?

Sou carreado por correntes marinhas que, por sua vez,
não me levam a lugar algum, embora me arrastem
Tento me recordar do que deixei alhures, mas tudo


se esvaiu como a fumaça de meu último cigarro
e o gole de minha derradeira aguardente. Não amei
mulher alguma a ponto de sentir saudade, apenas tesão

Minha tentativa de pronunciar algo nesse momento solene se torna
borbulhas de ar, o que é muito mais do que as anteriores, cujas
palavras se perdiam no vazio, invisíveis, inaudíveis, ininteligíveis

As vozes que já ouvi tentam em vão me dizer algo, mas nada
remanesceu de tudo o que escutei e tampouco de tudo o que falei
Devo estar chorando, mas como saber, submerso e impermeável?

 

Indefeso e indeciso, rompo em braçadas e pernadas rumo a
um lugar que cintila ante meu olhar de louco, ou de peixe
morto... e meus pulmões prestes a explodir.

 

O AUTOR:

 

Edson Braz nasceu em Juiz de Fora/MG, em 22/10/1957. Cursou, sem concluir, Letras e Psicologia. Publicou trabalhos em jornais alternativos e antologias, destacando Banco de Talentos-2001 (FEBRABAN) e Poesia em Movimento-2002 (FUNALFA). Publicou POEMA(S) EM VÃO, Ed. Scortecci, em 1989, o livro de contos O TOMBO E OUTROS ACIDENTES (Editora Penalux), em 2013, e o romance QUEDA LIVRE (Big Time Editora), em 2016. Tem um romance e uma coletânea de textos em fase de conclusão, além de poesias “engavetadas”, como se dizia noutros tempos, projetos que pretende concluir até o próximo lockdown. Faleceu dia 13/12/2020, por covid19.

 

 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

BOTÂNICA E AS VARIAÇÕES DA FLOR

 


botão de ouro

primavera

dente-de-leão

rosa

ervilha

cicuta-menor

campainha azul

dulcamara

orquídea

junquilho

narciso

lírio amarelo

flor-de-lis

sépalas

pétalas

androceu

gineceu

ela e eu.

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

CAMADAS DE ÁGUA

 


“o peixe sabe de tudo e nada”

autoria desconhecida, século XIII

 

tenho dois meses

para morrer

o ódio

me circunscreve

como camadas

de água que vem

inundando tudo,

desde as primeiras células

aos últimos fios de cabelo

e são águas salobras, escuras

de quando faço a descida

da ponte para beber

desta água, o líquido, mas ai,

tem gosto de peixes putrefatos

peixes analógicos e peixes digitais.

 

“São voltas da vida, voltas da vida”,

como dizia o enfermo Valdemar

em seu leito de morte e honradez.

 

lembro de ser abominado pelo meu próprio sangue,

por ser alcoolizado e desistente (“mas eu não sei

porque me sinto assim, vem de repente

um anjo triste perto de mim”). Ah, que merda!

e algumas e diversas era esse o meu mote

para a distração em histórias em quadrinhos

e as primeiras letras e composições em cadernos.

 

sessenta anos, soa o sino em meu tímpano.

 

meu prazo e o peso desta incongruência

dobra-me o pé direito na sandália surrada

“Casa da Eternidade”, que em hebraico se escreve,

bet kevarot, mas já não sou digno de cheirar o ar,

a água límpida, o pensamento puro, inoxidável

 

deverei ficar circunscrito a este cemitério de angu,

atolado até os joelhos junto com as fezes dos porcos

que se procuravam alimentar para o sacrifício final,

num circo fúnebre onde seriam então recheados

com “pêlo de gato, pêlo de um aleijado, chocalho

de cascavel, pés de rã, orelhas de sapo, dentes

de cão e garras de coelho”, para o cardápio da

criança ingênua pensando que ao sair da escola, ah,


e ele pensava, defeituoso e ingênuo das Gerais

“chegando em casa vou pegar uma jantinha”.

 o controle 44 era uma tecla onde soava uma música

em todos os dias (July 28th) e era singela como as

lembranças que não puderam ser nesta (sic) encarnação:

“lembrei de nós, do que ficou, se ficou não vai ter final”.

 

mas antes há de vir o controle 72, do aniquilamento,

da vida quando se torna um fardo pestilento, e eu bato

a cabeça no travesseiro como uma lagartixa inútil, de olhos

arregalados e o estômago e o cérebro entupido de remédios

num quadro consolidado e sem volta, assim como do meu pai.

 

“São voltas da vida, voltas da vida”,

como dizia o enfermo Valdemar

em seu leito de morte e honradez.

 

queria ter a grandeza e a percepção da vida num leito de hospital

para morrer fazendo este balanço isento de que tudo. “são voltas da vida,

voltas da vida”, e no dia seguinte o Sr. Valdemar já não acordava mais.

que venha esta noite, em mim também, ó morte, como num plenilúnio

será que, depois disso, a vida deixará de dar as suas voltas? acho que não.

o que eu tenho hoje são resíduos, resquícios de ressaca e sequelas

“sofrendo com as calças e tudo” como o parente eunuco já dizia,


e o que quer que isso tenha significado para ele de pés em perpendicular.

durante toda aquela noite de veneno e cobra eu implorava o advento da morte

para, ao menos, dentro dos dois meses subsequentes, eu pudesse acordar,

invariavelmente menor, com um resto de vida e uns versos de circunstância

como esses de agora e me faço então um urso plausível, criando forças para criar

em meio a esse caos de tantas dores e os músculos retesados repuxando no braço

como fosse me virar do avesso, o que faz com que a minha cabeça não consiga

pensar mais e eu lanço tudo no livro das horas, antes de fechar a brochura contábil.

 

“A Solidão Clandestina” foi demais e única companhia, amigo, falecido antes de mim.

“O Himalaia de um Vaso” era alto demais para eu escalar, falecido conterrâneo, e então

eu caía de borco com a cara no meio do barro, palhaço, cheio de livros e dentes partidos.

 

Se ao menos eu tivesse tido, o quanto antes, a droga de um buril e punhais amolados.