quarta-feira, 27 de novembro de 2024

O TRABALHO DOS DIAS


Não posso dizer da vida

e de sua quantia, pois

não tenho como me reportar

a uma experiência anterior.

 

A vida, em função disto,

talvez seja mais símbolo

e espaço do interdito do

que o vivido propriamente.

 

Refugia-se em mim, no escuro

do verbo existir, a ausência

de sentido num cotidiano

excessivamente meu e nulo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

IDENTIFICAÇÃO


Identifico-me com a noite

e com o que ela traz

de específico a si mesma,

e assim fazendo, aceito

o convívio de seres opacos

e da nova ordem e estado de coisas

que o escuro inaugura.

Identifico-me com o avesso

sou aliás o próprio avesso de mim,

e assim sendo, conheço

as esquinas sombrias

nas quais se disfarça

a inexorável nulidade.

Volto de manhã para casa,

e num balanço isento da noite

nenhum acréscimo se me acrescentou

de forma permanente.

Voltei eu mesmo sozinho e íntegro,

apesar das concessões necessárias

ao convívio comum entre os homens.

Nada ganhei e também nada de mim

se perdeu, exceto esta vida

que amanhece mais velha.

 


domingo, 17 de novembro de 2024

DA ESSENCIALIDADE DA ÁGUA

 



Trata-se do primeiro original poético do escritor e poeta Milton Rezende nos últimos sete anos, desde a publicação de “Um Andarilho Dentro de Casa”, em 2017. Depois disso aconteceram mais quatro livros publicados, sendo que o primeiro deles foi o romance “Mais uma Xícara de Café – One More Cup of Coffee” (2017), seguido de uma compilação de textos e poemas derivados de sua fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, Heteronímia e Inventário Poético em Milton Rezende”(2015), de Maria José Rezende Campos e que foi publicado em 2019 sob o título de “A Casa Improvisada”, outro foi uma seleção de poemas e textos contemplados, viabilizados e publicados através da Lei Aldir Blanc “Anímica” (2022), em seguida a sua “Antologia Poética – Literária I” (2022), que foi publicada no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde. Publica o “Da Essencialidade da Água” (2024).


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

DA ESSENCIALIDADE DA ÁGUA

 adquira seu exemplar e prestigie a literatura brasileira contemporânea.

@EditoraSinete

Milton Rezende, escreve em prosa e poesia e conta com quatorze livros publicados. Suas obras têm sido publicadas em diversos blogs, revistas, jornais e sites de literatura no Brasil e alguns no exterior.

Em Da essencialidade da água, o poeta lida com a morte, abordando inquietações provocadas pela contemplação da finitude, em todas as suas camadas, até chegar ao desfecho inegociável. Paradoxalmente, a vida transborda em todos os versos e se fortalece na contemplação das dificuldades provocadas por limitações físicas.

Sobre o autor, Edson Braz da Silva diz: “Grande poeta, de obra densa, intrigante, que não permite a indiferença ou muxoxo quando é lida. Poeta definitivo, que diz o que quer dizer, sem reticências, sem rodeios, porém sem desperdiçar palavras, sem jogar ao ar blasfêmias estéreis, sem pirotecnia. Às vezes é seco como Drummond, tétrico como Edgar Alan Poe, mortal como Augusto dos Anjos, sensitivo como Fernando Pessoa, mas é sempre Milton Rezende.”

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

DA ESSENCIALIDADE DA ÁGUA






 décimo quinto livro do autor Milton Rezende. 

Carla Dias apresenta este recente lançamento da Editora Sinete. adquira seu exemplar e fomente a literatura brasileira contemporânea.

https://www.sineteeditora.com.br/da-essencialidade-da-agua

sábado, 9 de novembro de 2024

A QUEDA


 

Não digo que estou

no fundo do poço

porque este não é mensurável

e sempre se pode cair mais ainda.

Mas estou numa queda livre

e vertiginosa.

A roupa do passado não me serve,

o presente é roto

e estou sem vestes para o futuro.

E numa queda os laços vão-se rompendo,

se dissolvendo,

desagregando-se.

Nenhum laço segura um homem

que cai por muito tempo.

A dignidade é uma palavra para pessoas de pé.

Na horizontal os conceitos são outros.

 



sexta-feira, 8 de novembro de 2024

DIAS DE CHUMBO




DIAS DE CHUMBO

“escurece e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada”
Drummond
Minha vontade é me dissolver
destruir minha personalidade.
Se houvesse algum ácido ou sal
que eu pudesse ingerir
e que me libertasse,
não do outro que há em mim
(monstro de ternura e culpa e parte
diferente, ainda que irrisória,
do meu processo de embrutecimento).
Mas que me livrasse de mim mesmo,
da vida que tenho levado até aqui,
aniquilando enfim essa coisa amorfa
que não se sustenta nem se suporta e que
no entanto teme a morte ou o esgotamento
da provisão do seu elemento de fuga.

A Sentinela em Fuga e Outras Ausências, Editora Multifoco, 2011