DIAS DE CHUMBO
“escurece e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada”
Drummond
destruir minha personalidade.
Se houvesse algum ácido ou sal
que eu pudesse ingerir
e que me libertasse,
não do outro que há em mim
(monstro de ternura e culpa e parte
diferente, ainda que irrisória,
do meu processo de embrutecimento).
Mas que me livrasse de mim mesmo,
da vida que tenho levado até aqui,
aniquilando enfim essa coisa amorfa
que não se sustenta nem se suporta e que
no entanto teme a morte ou o esgotamento
da provisão do seu elemento de fuga.
A Sentinela em Fuga e Outras Ausências, Editora Multifoco, 2011
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