quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O PRIVILÉGIO DOS MORTOS


 

“o privilégio dos mortos”, de Whisner Fraga


Por Milton Rezende

 

o filme “Bonitinha, mas ordinária”, um clássico do cinema nacional, com bela atuação do saudoso José Wilker e inspirado na célebre peça de Nelson Rodrigues. Mas o bordão/ideia-fixa do filme, que foi repetido diversas vezes pelo personagem Edgard, é “O mineiro só é solidário no câncer, frase atribuída a Otto Lara Resende.

Esta frase tornou-se icônica, mas não é bem verdade. Entretanto dita pelo ator José Wilker com tanta e especial ênfase que eu me recordo até hoje, donde se depreende que a ênfase é tudo. O próprio Drummond tem um verso neste sentido ao dizer “as coisas/que triste são as coisas consideradas sem ênfase” (in A Flor e a Náusea).

Então, para todos os efeitos, tornou-se realmente verdade que o mineiro só é solidário no câncer. Por extensão poderíamos dizer, alargando o seu horizonte e seu alcance que “O brasileiro só é solidário no câncer”. Aliás, eu acho que é assim que se encontra no filme, não tenho bem certeza.

No romance de Whisner Fraga “o privilégio dos mortos”, publicado pela Editora Patuá no ano de 2019, tem muito disso, pois trata-se de um romance composto, todo ele, de frases poéticas, algumas de efeito. Poder-se-ia dizer, exagerando um pouco, já que o livro é extenso com 250 páginas, que é um longo poema em prosa. Mas não. São frases poéticas mesmo, soltas, avulsas, lapidares, como pássaros esvoaçantes, em todo o corpo do livro. Você pode ir pinçando aqui e acolá a seu bel prazer, estas frases, helena.

O narrador, de passagem por Tejuco, sua cidade natal, retornando a ela diz: “fui até a rua seis e, a poucos passos do portão verde da casa em que meu amigo morou, ainda estava em dúvida se devia gritar por ele ou não”. E foi assim que o personagem-narrador “começou a questionar a sua morte” a morte do seu amigo heitor. E para ele, o narrador, “o processo só se completa quando eu contemplo o cadáver, quando atesto, que a pessoa abandonou, de fato, esse mundo”. “e eu não queria enlouquecer, pois os loucos sofrem demais, helena.

Mais adiante o narrador segue introjetando a perda do amigo à sombra de sua cidade natal Tejuco.

“e na noite anterior, helena, eu vinha cansado de outros juízos e não consegui, por um momento, acatar as pistas da lógica e depois, depois, helena, convivia com essa excentricidade: eu precisava ver o corpo, eu precisava tocar o frio, a ausência, a rigidez, para me certificar do fim e foi isso que se deu, certamente foi isso, porque eu havia deixado Tejuco e presenciei a morte de meu amigo, apenas naquela folha a-quatro descorada, que anunciava a missa de sétimo dia”.

“o pânico é uma necessidade de deserção”.

E o narrador do livro, num paroxismo de álcool e de delírio desenterra o seu amigo heitor. Este romance é feito, todo ele, assim: não há um enredo definido e obedece ao fluxo de consciência do narrador/autor.

Outro recurso utilizado, além de ser escrito totalmente em letras minúsculas, até para nomes próprios é a inserção da “personagem” helena, sempre citada ao longo do livro, dando a ele uma coloquialidade e uma fluidez tremenda. Verdadeiramente um achado literário, não é mesmo, helena?

É quando afinal, e ao final do livro, a turma chega ao cemitério de Tejuco para celebrar a morte do amigo heitor. E eles são alguns e a turma entre excitada e embriagada, pois embriaguez e sensualidade é o que de melhor define a morte, desde os filmes do Nosferatu, de Marnau, com excepcional interpretação de Max Schreck, quando ele sobe as escadas do imponderável e do inevitável. E então esta turma suborna o coveiro com uma garrafa de cachaça e vão todos celebrar a Morte, a morte do amigo heitor e numa “evasão” erótica de corpos despindo de suas vestes e dançando sobre as tumbas que nem observam quando o narrador do romance se distancia uns quinze metros rumo ao túmulo do seu amigo heitor e o desenterra e abrindo o  caixão abraça o cadáver do amigo “vendo e sentindo o corpo do seu amigo inchado, seu amigo incompleto, seu amigo carcomido, seu amigo escurecido e sente vontade de abraça-lo, de  beijá-lo como fazem aqueles que se despedem e o puxa para perto, sentindo tudo que eventualmente fora pele, que fora carne, que fora músculo, que fora união, cola nele e, mesmo enojado, avança seus lábios e aproxima a cabeça do seu peito e sente medo de que tudo desmorone, tem medo que algo que já tenha sido ele, heitor, esteja por perto e não goste daquele carinho, de forma que tenta não amarotar o terno cinza...” e se despede do seu amigo indagando:  “o experimento de deus tem prazo de validade?”

 

“a proximidade da morte fortalece minha fé,

o que me resta senão isso?

resta-lhe o mundo.

e a esperança?

a esperança não.

domingo, 4 de janeiro de 2026

À FLOR DA PELE


 

O crítico e (é) o escritor – uma análise de “À flor da pele”, de Krishnamurti Góes dos Anjos


Por Milton Rezende

 

“O eixo do mundo gastou-se”. E esta frase, dita por um camponês iletrado da zona rural de Ervália, em Minas Gerais, revela duas verdades: a primeira delas pela justeza do conceito que emite, tão sintetizado que chega a doer. Definitivamente o eixo do mundo encontra-se gasto, desgastado e ele agora, o mundo, gira louco, em descompasso e sem propósito de existir.

A segunda verdade é a de que não precisamos de um conhecimento sistematizado, acadêmico, para fazer uma correta leitura do mundo. Basta a intuição com sua carga de sabedoria implícita demonstrada pelo Geraldinho, um lavrador incauto e descalço capinando a sua lavoura de café no interior de Minas Gerais.

“come chocolates pequena, / come chocolates! / olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates” /, como já dizia o grande Fernando Pessoa.

Este pensamento surge numa época de distopias brilhantes, de um brilho opaco, em que a vida surge ofuscada pela nossa incapacidade de interpretação. Nunca o “the dream is over” anunciado por John Lennon no final dos anos de 1970 foi tão pertinente como agora: o sonho acabou. Mesmo!

O livro de contos “À flor da pele” (Editora Laranja Original, 2020), de Krishnamurti surge num fatídico ano, marcado por uma pandemia, uma crise econômica e uma crise política causada por um desgoverno nefasto sob todos os aspectos, mas que foi escolhido por nós, brasileiros, em nossa falta de opção.

“À flor da pele” aparece num momento conturbado como este para funcionar como um contraponto e sua leitura serviu para quebrar alguns paradigmas disseminados genericamente pelo senso comum no sentido de que um bom crítico literário não seria, por definição, um bom escritor ou até mesmo o julgamento pernicioso de que os críticos de literatura são, igualmente por definição, autores frustrados que,  não dando conta de escrever grandes obras de ficção, passam a ser críticos literários; podendo ser muito competentes no que fazem ao desempenhar tão nobre e necessária função.

Esses conceitos vagos e sem fundamentos foram meio que disseminados e de certa forma aceitos como uma regra geral. Mas não é, definitivamente, o caso do Krishnamurti. E este seu livro de contos vem agora justamente para comprovar este grande equívoco, ao afirmar que se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo e com qualidade.

Krishnamurti Góes dos Anjos com este seu “À flor da pele”, prova-nos que é possível ser um ótimo crítico literário ao mesmo tempo que desenvolve uma literatura de criação e de qualidade. O autor em questão tem se destacado como um dos nossos melhores e mais profícuos críticos de literatura e respeitável resenhista, desenvolvendo um trabalho muito importante de disseminação do gosto pela leitura ao privilegiar sobretudo a literatura contemporânea de autores novos e emergentes no cenário literário nacional.

O escritor Krishnamurti, com suas múltiplas resenhas, faz exatamente esta ponte entre os autores e os prováveis e eventuais leitores, tornando a leitura algo fascinante. O seu brilhante “À flor da pele” é um livro de contos em que se confirma esta grata surpresa de se encontrar no crítico renomado um autor de muitos recursos e versado numa prosa literária de excelente fruição e encantamento.

Os contos são bem urdidos e transcorrem numa leitura agradável ao mesmo empo em que subliminarmente, nos leva a muitas e diferentes reflexões. “Highly Important! Revolution in Brazil!”, que abre o seu volume de contos narra uma pretendida “Revolução no Brasil”, com uma deliciosa narrativa histórica sobre uma utópica independência de Pernambuco nos idos de 1817. Parece, no entanto, ser uma leitura atualizada do que somos ainda hoje, neste referencial projetado de um Brasil do Século XXI. Quase nada mudou desde sempre.

Em “Dois velhos ou quase velhos” Krishnamurti Góes dos Anjos nos apresenta um diálogo telefônico entre dois amigos já velhos, ou quase velhos. Um mais expansivo e o outro, retraído. Esse diálogo (ou pode-se mesmo dizer um quase monólogo) transcorre mais com o expansivo falando e narrando as peripécias de um encontro fortuito que ele teve com uma mulher jovem, “um avião”, numa viagem de metrô. A ideia do expansivo era convidar o amigo retraído para tomarem uma cerveja no bar “Lanterna dos Afogados” e conversarem, mas, diante da recusa desanimada do amigo a conversa, toda ela, se dá ao telefone mesmo. Então ele foi narrando seus dissabores a partir daquele encontro providencial e meio acachapante numa linha de metrô. O que aconteceu ou deixou de acontecer era o que se pode esperar de uma conversa entre a juventude radiante e a decrepitude galopante de um velho ou quase velho; daí entendemos como os mais velhos quase sempre se ressentem com os mais jovens, naquilo que se convencionou chamar de choque de gerações: colocando os mais jovens numa escala ascendente de jovialidade contra outro, decadente, numa escala decrescente de aniquilamento. E logo ela, a moça bonita, para começo de conversa o chama de tio e isso o destrói e corrói pela carga de verdade que encerra. E ele, um viúvo solitário, perde ali as suas ilusões afetivas e sexuais e se descobre pobre num país cheios de mazelas políticas e econômicas. Então o expansivo estava fragilizado e queria, conversando com o amigo, algo de reconfortante entre iguais em idade, mas, diante da recusa do outro em sair (também ele um solitário e subempregado, sem dinheiro e meio deprimido). A recusa do amigo mais a súbita consciência de sua decrepitude que chegava aos galopes levaram o expansivo, já agora amargo como um limão, a encerrar subitamente a conversa telefônica dizendo: -- “vou sozinho sim e não quero mais falar, não quero ouvir mais nada de você. A vida é mesmo um absurdo e eu vou ficar sentado à mesa com minha cerveja no bar ‘Lanterna dos Afogados’. Quero apenas isso e é o que me resta, ficar sozinho, sentado num bar tomando cerveja. Tchau!” Dez minutos depois que ele chegara ao bar, aquela moça radiante do metrô liga para um taxista pedindo que a levasse, numa corrida, ao bar de sempre, no “Lanterna dos Afogados” onde ela mantinha suas conversas juvenis e seus encontros (amorosos?) com os homens.

O conto “O Casamento” narra uma história de desencontros. Pode parecer uma contradição, pois casamento pressupõe união, congraçamento, festividades. Mas aqui não. O autor Krishnamurti narra uma cerimônia de casamento em que os convivas parecem deslocados. O personagem central é um senhor de meia idade que mora em outra cidade e o seu motorista já está esperando para voltarem. Ele então adentra o recinto aparentemente sem conhecer ninguém e aguarda o casamento. A noiva se atrasa, é praxe, então ele foi conduzido pelo cerimonial para um formação de casais numa fila de padrinhos. Dão-lhe um par e ela enlaça o seu braço, mas não há sintonia entre eles. Logo ela cede o lugar para outra moça, Mara, que parece ter se interessado pelo senhor grisalho e vice-versa. Nisso o noivo aproximou-se dele. O terno o incomodava, pois não estava acostumado a esse tipo de roupa. O noivo então dá-lhe um abraço tipo quebra-ossos e diz: “estou muito feliz que tenha vindo. Sabe?” Sorriram afetuosamente, mas foram interrompidos pela mestra de cerimônias. Logo chega um senhor, espaçoso, e se anuncia como o pai do noivo, depois acrescentando ser o pai adotivo. Isso gera uma pergunta entre os convivas: e cadê o pai verdadeiro, não veio?  A cerimônia começa e este homem se divide entre a vontade de ficar e continuar na companhia de Mara ou voltar, pois o tempo urge, o casamento atrasou e o motorista o espera com hora previamente marcada. “A gravata apertava como a corda de um enforcado” e ainda mais a preocupação com o horário. Falou com a Mara que morava em outro estado, cinco horas de viagem, com hora marcada de voltar e que ela explicasse ao noivo a sua ausência na festa. Hora de voltar e sair do casório, com ele pesaroso por deixar aquela agradável companhia. Despedem-se enternecidos. Corte! e o autor da narrativa já nos coloca na casa, no quarto do homem convidado que chegando em sua casa vê e pega um porta-retratos. Nele a fotografia do homem que se casou hoje, quando tinha quatro anos. E então fica pensando: “os olhos dele me pareceram um pouco mais escuros que no dia em que ele saiu da sala de parto”.

O ótimo conto “Enfermaria do Hospital Geral” confirma-se a impressão de que a literatura tem, de fato, este poder de resgate sobre a condição humana e sua transitoriedade evidenciada num leito de U.T.I, numa enfermaria de um hospital geral que bem pode ser a alegoria do nosso próprio país, num mundo em dissolução.

Mais adiante, ainda somos surpreendidos com o excelente (e belíssimo) conto “Samírah e a Noite dos Longos Punhais” em que a sensibilidade e engenho do autor nos transporta para a cena dantesca da morte por afogamento do menino sírio Aylan que chocou o mundo inteiro ao aparecer estirado na praia, numa triste saga de refugiados ao redor do planeta à procura de um lugar para viver em busca de paz. Um relato que eu diria poético e carregado de humana beleza mesmo em se tratando de uma tragédia, pois existe poesia mesmo em meio a toda a destruição ocasionada por uma guerra fratricida em que o horror é tamanho que “os nossos olhos são pequenos para ver”, no admirável poema de Carlos Drummond de Andrade.

Dito isto é fechar o livro sensibilizado e sempre atento ao papel catártico que a literatura pode nos proporcionar, ainda que pese o imenso peso da nossa condição humana.

“era o corpo de um menino vestido com camisa de malha vermelha, calça azul-marinho e tênis marrom, deitado de bruços na praia. Era Aylan.”

 

 




 

 

 

 


domingo, 14 de dezembro de 2025

DA ESSENCIALIDADE DA ÁGUA


 

“desta vez mergulhando na força poética de Milton Rezende, autor de quinze livros e uma das vozes mais densas e inquietas da literatura contemporânea.

Em Da Essencialidade da Água, Rezende encara a morte de frente, mas deixa que a vida transborde em cada verso — num equilíbrio raro entre finitude, corpo, limite e transcendência.

Um poeta que não desperdiça palavras, não faz firula e não permite indiferença.

Leitura obrigatória para quem acompanha o trabalho da Merda na Mão e para quem respira literatura com a mesma intensidade que Milton escreve”.

Comentário da Editora Merda na  Mão

Livro publicado pela Editora Sinete, 2024

www.editorasinete.com.br


JORNALEIRO


 

"Jornaleiro" (Milton Rezende)
O menino vendendo o jornal
grita pelas ruas da cidade
com sua voz mecânica
(misto de automatismo e resignação).
A tristeza feita esquecimento
na sobrevivência através de palavras
rápidas e mal articuladas,
“olha o diário olha o diário”.
Naquela noite, ao voltar pra casa,
o menino morreu no trânsito,
e no dia seguinte
a sua morte não foi noticiada no jornal.
Do livro "Areia (À Fragmentação da Pedra)".
Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books. Tem um site e um blog.
Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

domingo, 7 de dezembro de 2025

MEUS E-BOOKS 4


 

PREFÁCIO

 

Lembranças ao se olhar para trás. Retroceder no tempo e contemplar seus significados a/temporários quando, vivenciados, eles se impunham com a sua carga de veracidade e com a sua força no dia a dia da vida. Contemplá-las agora em suas facetas realísticas e metafóricas é um exercício lúdico e nostálgico: Quem e quais foram aquelas figuras femininas que motivaram a escrita destes poemas denominados “Erotismo Sutil” na classificação de Maria José Rezende Campos em sua dissertação de mestrado que foi publicada em livro de 2015 com o nome de “Tempo de Poesia: Intertextualidade, Heteronímia e Inventário Poético em Milton Rezende”. Quem e quais foram aquelas figuras femininas? Algumas já nem me lembro mais no decorrer de uma existência e perdem-se no tempo, mas sobrevivem em poesia. Relendo agora essa dissertação percebi que haviam outros poemas, além daqueles que lá se encontram com essa mesma temática. Decidi, então, completar essa pequena lista de poemas que foram escritos no período e no intervalo que vai de 1986 a 2024.

Por Milton Rezende

 

SINOPSE

 

Erotismo Sutil é uma coletânea poética que explora a sensualidade e o desejo a partir de um olhar observador e, por vezes, nostálgico. Os poemas, escritos por Milton Rezende, abordam a beleza do corpo feminino em diversas situações e contextos, como a menina na piscina ("As impurezas do branco"), a figura enigmática na praça ("Balada das duas mulheres na praça") e a imagem idealizada em fotografias ("Perfil").


A natureza e seus elementos, como flores e rios, frequentemente se entrelaçam com as descrições da figura amada, criando metáforas que realçam a delicadeza e a força do erotismo ("Botânica e as variações da flor", "Nas águas do rio", "Tempo de manga"). Há também uma exploração da memória e da imaginação como veículos para a experiência do desejo, mesmo na ausência do outro ("Marolhar", "Nu").


O eu-lírico se posiciona como um admirador que capta detalhes e sensações, transformando o cotidiano em um cenário para a manifestação sutil do erótico, como o jogo de luz e sombras que revela a imagem desejada ("Num jogo de luz e sombras"). A obra convida o leitor a uma jornada pelos sentidos, onde o olhar e a lembrança são tão potentes quanto a presença física.

Por Rogers Silva

 

 

FICHA TÉCNICA:

Erotismo sutil (e-book)

Milton Rezende

23 páginas

2025

Português

ILUSTRAÇÃO DA CAPA:

Gustavo Coelho    

PRODUÇÃO

Rogers Silva

REVISÃO:

Milton Rezende

PREÇO E ONDE COMPRAR:

R$ 9,99

Kindle/Amazon

Google Play/Livros

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de Setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público aposentado por Varginha (MG), morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP).

Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados: “O Acaso das Manhãs” (Edicon, 1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)” (Scortecci, 1989), “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução” (Templo, 2006), “Uma Escada que Deságua no Silêncio” (Multifoco, 2009), “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” (Multifoco, 2011), “Inventário de Sombras” (Multifoco, 2012), “Textos e Ensaios” (Multifoco, 2012), “O Jardim Simultâneo” (Penalux, 2013), “A Magia e a Arte dos Cemitérios” (Penalux, 2014), “Um Andarilho Dentro de Casa” (Penalux, 2017), “Mais uma Xícara de Café – One More Cup of Coffee ” (Penalux, 2017), “A Casa Improvisada” (Penalux, 2019), “Anímica” (Penalux, 2022), “Antologia Poética – Literária I” (Grupo Editorial Atlântico, 2022 - editado no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde ) e “Da Essencialidade da Água” (Sinete, 2024).

Possui quatro ebooks: “Textos e Ensaios” (Bibliomundi, 2018), “Antologia Poética – Literária I” (Grupo Editorial Atlântico, 2022), “Coletânea Cemiterial” (Kindle/Amazon, 2023) e “Erotismo Sutil” (Kindle/Amazon, 2025. Tem dezenas de poemas traduzidos para o inglês e o espanhol, além da criação de área no Museu da Pessoa.

Publica em diversos blogs, revistas, jornais e sites de literatura no Brasil e alguns no exterior, tais como: Germina, Alagunas, Subversa, Jornal de Poesia, O Bule, Poesia para Todos, Translittera, Palpitar, Gotas de Poesia e Outras Essências, Portal Literal, Recanto das Letras, Gaveta do Ivo, Contos Cabulosos, Cronópios, Jornal Rascunho, Mallarmargens, Amaité Poesias & Cia., Revista Samizdat, Entrementes, Revista Gueto, Revista Traços, Conto Brasileiro, LiteraLivre, Plástico Bolha, Ecos da Palavra, Littera 7, Literatura & Fechadura, Cronopio ideas libres y diversas, Revista Jezebel, Mar de Lá, Vila da Utopia, Portal fazia.poesia, Crônicas Cariocas e nas Revistas portuguesas TriploV e InComunidade.

É um dos colunistas da Revista O Bule e colabora regularmente com a Revista Samizdat, Crônicas Cariocas, Revista portuguesa TriploV e Amaité Poesia & Cia.

Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, Heteronímia e Inventário Poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

 

www.miltoncarlosrezende.com.br

www.estantedopoetaedoescritor.blogspot.com.br

 

 

 


domingo, 13 de abril de 2025

MEUS E-BOOKS 3

Trata-se de uma coletânea de diversos poemas que giram todos em torno dos cemitérios e seus mistérios. Daí seu caráter um tanto mórbido e ao mesmo tempo com um fator  filosófico que permeia toda a escrita do autor Milton Rezende.

Para quem aprecia uma literatura meio clássica e meio gótica encoberta por um pano de fundo paranormal e sobrenatural, com seus rituais sombrios: assombrações, suicídios, necrofilia e loucuras do além túmulo, donde se pode perguntar: o que acontece em um cemitério? Como numa procissão macabra de pessoas e seres que entravam e saiam deste cemitério, vagando e perambulando em meio a podridão num ambiente lúgubre, cinzento e melancólico.

O autor  desenvolve o tema numa linguagem enxuta, às vezes rebuscada, mas direta e podíamos até dizer um tanto clássica, apesar de ser intensa e sutil ao mesmo tempo que nos remete a  autores como Augusto dos Anjos, Edgar Alan Poe e Lovecraft.

Saltando as grades deste cemitério podemos observar pessoas bêbadas, perdidas, extraviadas de si mesmas e que buscam como numa mágica desvendar os mistérios neste ambiente onde o hálito da morte com seus cheiros nauseabundos transmitem uma energia singular.

Neste ambiente escuro e chuvoso, triste e melancólico torna-se crucial, como num paradoxo de existir, onde ainda podemos encontrar flores, coqueiros e ninhos de pássaros agourentos ou não.

 

Milton Rezende, e-book publicado pela Kindle/Amazon em 2023

 

 

 

 

sábado, 12 de abril de 2025

MEUS E-BOOKS 2


 

Finalmente a ideia de se organizar uma “Antologia Poética” do poeta ervalense Milton Rezende.  Foram 7 livros de poesia publicados no intervalo que vai de 1986 a 2017. Portanto mais de 30 anos de estrada literária. Aqui, neste volume, estão reunidos 183 poemas bastante expressivos e representativos do seu itinerário poético e escolhidos dentre todos os seus livros publicados. Tendo, inclusive, quatro poemas inéditos do livro igualmente inédito “Da Essencialidade da Água”.

O critério escolhido para a seleção dos poemas foi o de usar como base o livro “Tempo de Poesia: Intertextualidade, Heteronímia e Inventário Poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos que disserta sobre a obra do autor e também em outras fontes e meios literários no Brasil e alguns até no exterior que divulgaram seus trabalhos poéticos. Portanto são poemas que já passaram pelo crivo e pelas análises de outras pessoas, além do próprio autor.

Num universo total que gira em torno de uns 410 poemas, esta coletânea apresenta quase a metade de tudo que o poeta escreveu ao longo destas três décadas, portanto um painel bastante representativo onde o leitor poderá encontrar uma amostra consistente do que representa o legado deste escritor que é tido como uma espécie de celebridade rural, quase desconhecida e escondido nas montanhas de Minas Gerais, mas “de grande influência no cerco artístico-literário da Zona da Mata Mineira na década de 1980, de onde, com certeza, é um dos principais nomes da Literatura Contemporânea”(F.A.)

 

Milton Rezende, e-book publicado pelo Grupo Editorial Atlântico em 2022